sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Dor

Antes de te conhecer e apesar de me sentir feliz e realizada não havia razão alguma para eu passar por períodos de tristeza, angústia e ansiedade. Eu não encontrava razões lógicas para me sentir dessa maneira mas o que é certo é que sentia um enorme vazio dentro de mim...
Quando iniciámos uma vida a dois fui constantemente confrontada com algumas situações insólitas. Sempre te assumiste como dominador e sádico. Por te amar tanto não me preocupava com essa tua faceta. Embora sempre receosa no início porque eventualmente seria confrontada com essa situação, mais cedo ou mais tarde, o que é certo, e agora falando apenas de masoquismo, tu descobriste primeiro que eu o meu lado masoquista. Ficava excitada quando falavas de determinados pormenores como me prenderes, vendares, dares algumas palmadas ou até usares velas ou um chicote... Um cenário completamente diferente para o que estava habituada... sexualidade para mim limitava-se apenas a sexo... o meu subconsciente começou então a desejar experimentar tais práticas. Sei que, no início, foste bastante paciente, ainda hoje o és. Deste-me a conhecer sabores diferentes e, acima de tudo, tempo para assimilar e digerir uma panóplia de sensações até então desconhecidas para mim...
O mais complicado foi lidar com a dor... enquanto a minha cabeça descartava essa dor, o meu corpo delirava com ela... hoje eu não a dispenso... sobretudo com alguns acessórios que fizeste de propósito para mim como aquelas luvas com garras que me rasgam as costas e as nádegas... uma mescla de dor e prazer que me provocam calafrios na espinha... e tu, mais que eu, assistes aos movimentos do meu corpo entregue a esse prazer. 
Hoje eu sei o quanto necessito desse teu sadismo para saciar as minhas necessidades masoquistas... Hoje eu sei, quando as sessões são mais espaçadas, determinadas por situações diversas, o quanto eu sofro...  angústia, apatia, tristeza... uma sensação de vazio... sentimentos negativos que já conhecera antes mas que hoje em dia ambos sabemos que a cura está nas tuas mãos... és o meu algoz e ao mesmo tempo o curandeiro... aquele que tem o poder de me exorcizar, libertar os meus demónios sedentos e esfomeados que me consomem com  o tempo...
Talvez estas minhas palavras não façam sentido para muitas pessoas... mas algumas, talvez, se identifiquem com o meu estado de espírito... não sabemos ao certo porque precisamos da dor mas temos consciência que ela nos liberta e transportam para outra galáxia... sofrer nas mãos da pessoa que amamos e em quem confiamos é uma entrega sublime, algo transcendente. 
No final de cada sessão sinto-me em paz comigo mesma, sinto-me amada, idolatrada, desejada, realizada... é aquele momento que os olhos brilham de emoção e adormeço nos teus braços... 

1 comentário:

Dominous Paulo disse...

A dor em ti...Sempre te confessei ser o que querias que fosse. Adivinhei, nao por acaso mas pelo que me escrevias e dizias, ser uma mulher forte, decidida mas infeliz. Estudei o que eras, tive atençao aos pormenores e decididamente quis ter-te como minha esposa. Com alegria verifiquei que poderia ser um homem feliz. Eras uma mulher educada, cheia de boas maneiras mas, no exterior. Quando te emocionavas sexualmente, eras outra. Nao em palavras, uma barreira nunca ultrapassada por ti, mas em gestos, em dedicaçao, em sensualidade. Duas mulheres numa, perfeitas. Como poderia perder esta oportunidade unica? Nunca. So posso escrever-te que o entusiasmo de te bater so e igual ao de sentir o teu orgasmo. Nunca e normal. Sao gritos e serpenteares tao instintivos como sensuais.Sao a beleza que emanas no seu expoente maximo. Levar-te por caminhos cada vez mais sinuosos e o meu querer. Desfalecida de dor e prazer. Essa e a obra que quero sempre acabada. NAo tenho uma pedra para moldar, tenho uma pintura surreal que a cada pincelada (sessao) me da mais prazer olhar, me faz sentir mais realizado. E apaixonado. Porque o artista nao sou eu. So desenho os traços que me indicas sem os falares. Sigo o caminho que queres percorrer. Por vezes com alguns desvios mas sempre na direcçao que me indicas onde queres estar. Sim, porque estarei sempre atento as tuas necessidades, mesmo as indicadas de forma mais subtil. Porque servindo os teus desejos, sirvo o meu eu. Dou o que precisas, tenho o que desejo.